1975

Poema urbano

No edifício
mil vidraças
refletem
meu rosto
sem graça.

Na fumaça
dos carros
meu travo
meu nojo.

No estojo
do apartamento
meu corpo
de cimento.

No bulício
da partida
minha ferida.

Dor

No meio
da rua
passam
os carros

Os gatos
e os ratos
nas latas
de lixo

E a louca
parada
na porta
da loja

De discos
girando
bêbada
e alada

A voz
desconexa
a dor
ancestral.